Bastidores da Política

Não foi por falta de aviso!

A situação da ponte do Alambari do Meio é mais um daqueles problemas que parecem precisar virar tragédia para receber atenção do poder público. E a Prefeitura não pode alegar desconhecimento! Desde fevereiro de 2025, quando Marga Padoveze cobrou melhorias nas estradas da região, vereadores vêm alertando sobre os problemas. Em outubro daquele ano, Jhony do Depósito solicitou o conserto da ponte, enquanto Leandro Penatti pediu uma avaliação preventiva da estrutura. Em fevereiro de 2026, Pastor Emerson também cobrou melhorias no acesso à região. Em setembro, Penatti voltou ao local, mostrou as erosões em vídeo e, no mês seguinte, formalizou nova cobrança. Ou seja, avisos não faltaram! Agora, com moradores denunciando riscos à segurança e prejuízos ao transporte escolar, fica a pergunta: o que a Prefeitura fez durante todo esse tempo? Porque, pelo visto, as cobranças dos vereadores estão caindo no mesmo buraco que ameaça engolir a estrada.

 

Quem paga a conta são as crianças

O problema fica ainda mais revoltante quando chega ao transporte escolar. Segundo moradores, os ônibus deixaram de atravessar a ponte por receio das condições da estrutura. Resultado: pais e responsáveis precisam levar os filhos até pontos alternativos de embarque, nas proximidades da Usina São José, ou encontrar outros meios para garantir a chegada à escola. É o retrato de uma situação em que o transtorno acaba transferido justamente para quem deveria receber o serviço público. Estamos na reta final do ano letivo, período de avaliações, atividades e encerramento das aulas. Quantas famílias dispõem de carro, tempo e condições para fazer esse deslocamento diariamente? E aquelas que não têm? Uma criança não pode ter seu acesso à educação prejudicado porque uma ponte apresenta problemas que já haviam sido denunciados. Educação não se resume a manter escolas abertas. Também é obrigação do poder público garantir que os estudantes consigam chegar até elas.

 

A chuva não pode ser a desculpa de sempre

Toda vez que começa o período chuvoso, os problemas das estradas rurais voltam à tona. Mas chuva em novembro não é exatamente uma surpresa meteorológica. Existe calendário, existe histórico e, principalmente, existe a necessidade de manutenção preventiva. Erosões não costumam desaparecer sozinhas. Ao contrário, a tendência é que se agravem quando não recebem as intervenções necessárias. No Alambari do Meio, o vereador já havia mostrado em setembro os buracos nas laterais da ponte e a ausência de guard-rails. Agora, os moradores voltam a denunciar a situação. A pergunta é simples: por que esperar o problema ficar maior para discutir uma solução? Prevenir costuma ser menos oneroso do que reconstruir. E, quando o assunto envolve a segurança de pessoas, o custo da demora não pode ser medido apenas em dinheiro.

 

Silêncio não conserta ponte!

Para completar, o jornal O Verdadeiro procurou o Departamento de Comunicação da Prefeitura, encaminhando perguntas sobre a segurança da ponte, as condições do transporte escolar, as intervenções previstas e a retirada dos entulhos. A resposta? Nenhuma, até o fechamento da reportagem. Nem uma explicação sobre eventual vistoria técnica, nem previsão de reparos, nem esclarecimentos sobre os estudantes afetados. É bom lembrar que responder à imprensa não é um favor prestado ao jornal, mas uma forma de prestar contas à população. A Prefeitura tem todo o direito de apresentar sua versão, esclarecer os fatos e informar o que está fazendo. Mas, enquanto não responde, deixa moradores e famílias sem informações fundamentais. O silêncio da administração não resolve a erosão, não garante o transporte escolar e muito menos oferece segurança a quem precisa atravessar aquela ponte. A população não está pedindo luxo, obra faraônica ou promessa de campanha. Está pedindo condições mínimas para ir e vir. Será que é pedir demais?

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