O mercado financeiro elevou as projeções para a inflação, a taxa básica de juros e a cotação do dólar em 2026, ao mesmo tempo em que reduziu a expectativa de crescimento da economia brasileira. Os dados constam do Boletim Focus, divulgado nesta terça-feira (3) pelo Banco Central, no primeiro levantamento após o segundo turno das eleições presidenciais.
Segundo o relatório, a previsão para a inflação oficial do país, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), passou de 5,19% para 5,22% neste ano. Há quatro semanas, a estimativa era de 5,01%.
Com a revisão, o mercado passou a projetar uma inflação acima do limite de tolerância da meta estabelecida para o país, cujo teto é de 4,5%.
Para 2027, a expectativa de inflação está em 4,76%, enquanto para 2028 a projeção é de 4%.
Juros devem continuar elevados
A estimativa para a taxa básica de juros, a Selic, também aumentou. Na semana passada, o mercado projetava que os juros terminariam 2026 em 13,25% ao ano. Agora, a previsão subiu para 13,5%.
Atualmente, a Selic está em 13,75% ao ano, o que significa que as instituições financeiras ainda esperam uma pequena redução até dezembro.
Para 2027, a projeção é de juros em 12,5% ao ano, enquanto para 2028 a expectativa é de 11%.
A manutenção dos juros em níveis elevados encarece empréstimos, financiamentos e o crédito para empresas e consumidores. Por outro lado, a política de juros altos é utilizada pelo Banco Central como instrumento para tentar controlar a inflação.
Dólar pode encerrar o ano em R$ 5,34
Outra mudança significativa ocorreu nas projeções para o dólar. A estimativa para a cotação da moeda norte-americana no encerramento de 2026 passou de R$ 5,05 para R$ 5,34.
Para 2027 e 2028, o mercado projeta o dólar a R$ 5,40.
A valorização da moeda americana pode pressionar os preços de produtos importados, equipamentos, componentes industriais e mercadorias que dependem de matérias-primas negociadas internacionalmente.
O câmbio também influencia os custos de viagens internacionais e de produtos adquiridos no exterior.
Crescimento da economia perde força
Além das projeções de inflação, juros e câmbio, o Boletim Focus trouxe uma revisão negativa para o crescimento da economia brasileira.
A expectativa de expansão do Produto Interno Bruto (PIB), que representa a soma dos bens e serviços produzidos no país, caiu de 1,80% para 1,76% em 2026. Foi a terceira redução consecutiva da estimativa.
Para 2027, o mercado prevê crescimento de apenas 1,2%, enquanto para 2028 a projeção é de 1,8%.
O cenário indica expectativas de expansão econômica mais moderada, em um ambiente de crédito caro e inflação persistente.
Veja como ficaram as projeções para 2026
| Indicador | Previsão anterior | Nova previsão |
| Inflação (IPCA) | 5,19% | 5,22% |
| Selic ao fim do ano | 13,25% | 13,50% |
| Dólar ao fim do ano | R$ 5,05 | R$ 5,34 |
| Crescimento do PIB | 1,80% | 1,76% |
Reflexos para consumidores e empresas
Embora sejam projeções e não resultados definitivos, os números do Boletim Focus servem como referência para avaliar as expectativas do mercado financeiro sobre a economia brasileira.
Para consumidores, a combinação de inflação elevada e juros altos pode significar maior dificuldade para financiar veículos, imóveis e compras parceladas, além de pressionar o orçamento doméstico.
Para empresas, especialmente aquelas que dependem de financiamentos ou de insumos importados, o cenário pode representar custos maiores e dificuldades para ampliar investimentos.
Em municípios como Rio das Pedras, onde a indústria, o comércio e os serviços têm participação importante na economia, essas condições também podem influenciar decisões de contratação, expansão de negócios e consumo das famílias.
As estimativas do Boletim Focus são elaboradas a partir das expectativas de instituições financeiras e outros participantes do mercado. Portanto, não representam decisões já tomadas pelo Banco Central nem garantem que os indicadores terminarão o ano nos valores projetados.









