Obra antes do resultado
Como alguém começa uma obra em uma área pública que ainda está em processo de seleção para doação? E como se cerca um terreno avaliado em R$ 2,8 milhões e se instalam pilares, guindaste e canteiro de obras antes de se saber quem será escolhido para recebê-lo?
O secretário de Desenvolvimento Econômico, Marcelo Teles, disse que desconhecia a construção e que a Prefeitura havia autorizado somente a limpeza do terreno. Também afirmou que a secretaria notificaria os responsáveis e adotaria providências para interromper os trabalhos. Até agora, a Comunicação da Prefeitura não respondeu aos questionamentos do jornal.
Duas hipóteses se impõem — e nenhuma é confortável para a administração municipal: ou falta competência para proteger e fiscalizar o patrimônio público, ou há circunstâncias que precisam ser apuradas para afastar qualquer suspeita de favorecimento a alguém interessado em vencer o chamamento.
Não se trata de afirmar que houve direcionamento. Trata-se de perguntar por que a obra começou antes da conclusão do processo e quem permitiu que isso acontecesse. O resultado da seleção poderá mostrar quem receberá a área. Mas não responderá, sozinho, como os trabalhos começaram antes da escolha. Para isso, a Prefeitura precisa explicar os fatos e apresentar os documentos.
Uma lei revogada e uma lembrança conveniente
A área tem um capítulo anterior. Em 2015, a Lei nº 2.899 autorizou a doação de uma área industrial à empresa Botam & Botam Piracicaba Ltda. A escritura de doação, porém, não chegou a ser outorgada e as obras então previstas não foram iniciadas. Em 2024, o prefeito Marcos Buzetto enviou à Câmara um projeto para reajustar o vale-alimentação dos servidores. O texto elevou o benefício mensal de R$ 900 para R$ 1.100 e previu R$ 2.200 em dezembro; também revogou a autorização de doação à empresa.
A revogação no mesmo projeto, com o tão conhecido (no meio jurídico) “jabuti”, foi interpretada por muita gente como revanchismo político. Seja qual for a intenção, há um fato que merece ser lembrado: a então vereadora Vanessa Botam votou a favor do projeto. Na prática, apoiou o reajuste dos servidores mesmo com a revogação da autorização que poderia beneficiar a empresa de sua família. A própria vereadora explicou que não queria prejudicar os funcionários públicos.
E ainda há quem insista em dizer que Vanessa é contra o funcionalismo público. Pois é. Bastidores também servem para lembrar o que alguns preferem esquecer.
A fila de 2028 já começou
O prefeito reuniu, nesta quarta-feira, apoiadores, vereadores da base e integrantes do secretariado para discutir uma pesquisa eleitoral que deve ajudar o grupo a decidir seus próximos passos rumo a 2028. A sondagem também serviria para medir quem teria condições de disputar a Prefeitura.
Entre os nomes que teriam se colocado à disposição estão os vereadores Ana Paula Taranto, Emerson Vieira entre outros vereadores que apoiam a atual gestão. No secretariado, Carlos Defavari, Cibele Mussin e José Ferreira também teriam entrado na conversa. Até Glauco Ayrton, filho do ex-prefeito Antônio Ayrton e hoje menos presente no cenário político, teria sido consultado.
A lista chegaria a 13 possíveis pretendentes. Treze! Pelo visto, a pesquisa vai precisar de bastante espaço — e o grupo, de bastante conversa — para descobrir quem realmente quer disputar e quem apenas aceitou ter o nome testado.









