Moradores de bairros de Rio das Pedras voltaram a reclamar do excesso de barulho provocado por motos, carros com som alto e bicicletas motorizadas, especialmente durante a noite e a madrugada. As queixas, que já haviam chegado à Câmara Municipal e sido tema de discussão em plenário, ganharam novo capítulo nesta quinta-feira (25), após debate no grupo de moradores do bairro Bom Jardim.
Nas mensagens trocadas entre os participantes, o sentimento predominante é de revolta, cansaço e abandono. Os relatos apontam para noites seguidas de perturbação do sossego, com som alto, gritaria e o barulho constante de bicicletas motorizadas circulando pelas ruas em horários de descanso. Moradores relatam dificuldades para dormir, prejuízo à rotina de trabalho e impacto direto na qualidade de vida de famílias com crianças pequenas.
“Dia e noite a gente não tem paz”, desabafou uma moradora, ao relatar que a filha pequena não consegue dormir por causa do barulho. Outra moradora afirmou ter acordado às 2h30 da madrugada com “maior bagunça, som alto e gente gritando”, mesmo em uma noite de frio. Também houve relatos de pessoas que precisam acordar antes das 6h para trabalhar e dizem estar esgotadas com a repetição do problema entre quinta-feira e domingo.
Críticas à atuação do poder público
A discussão rapidamente ultrapassou a reclamação sobre o barulho e se transformou em cobrança direta ao poder público. Moradores questionaram a atuação da Guarda Civil Municipal, da Polícia Militar e dos vereadores que representam o bairro, alegando que as respostas dadas até agora têm sido insuficientes diante da frequência do problema.
O vereador Jhony do Depósito, que integra o grupo, se manifestou dizendo compreender a indignação dos moradores e orientou que casos de perturbação do sossego sejam comunicados à Guarda Municipal e à Polícia Militar, para registro e providências. Ele também afirmou que, como vereador, tem o dever de fiscalizar, cobrar e levar as demandas aos órgãos responsáveis, e pediu a colaboração da população com denúncias formais, argumentando que isso fortalece a cobrança por providências.
A resposta, porém, não acalmou os ânimos. Em várias mensagens, moradores afirmaram que as denúncias já vêm sendo feitas, mas que a sensação é de que “nada muda”. Alguns cobraram uma postura mais firme dos vereadores, com ações concretas no bairro, cobrança direta ao prefeito e articulação junto aos setores responsáveis pela fiscalização e segurança.
“Não adianta só falar para ligar para a polícia”, reclamou uma moradora. “Vocês têm que fazer valer, tomar atitude, andar pelo bairro, ver de perto e buscar uma solução”, escreveu outra.
Problema recorrente e sensação de impunidade
Além do incômodo com o barulho, o debate evidenciou a sensação de impotência dos moradores diante da repetição dos episódios. Há relatos de que os transtornos acontecem com frequência e se estendem até altas horas da madrugada, muitas vezes envolvendo adolescentes ou jovens em bicicletas motorizadas, além de veículos com som alto.
Uma das participantes do grupo chegou a convidar os vereadores a passarem uma noite em sua casa, principalmente entre quinta e domingo, para presenciarem de perto o que os moradores vêm enfrentando. Outro comentário resume o sentimento de frustração: “O Bom Jardim era um dos bairros mais tranquilos”.
Lei existe, mas moradores cobram fiscalização
Durante a discussão, uma moradora compartilhou no grupo a legislação municipal que trata da perturbação do sossego. O texto em questão é o Projeto de Lei Complementar nº 001/2026, apresentado pela vereadora Evanilde Padoveze, que propõe atualização na Lei Municipal nº 2.753/2013 para reforçar a proibição de ruídos ou sons excessivos e evitáveis no município. A proposta prevê multa e apreensão em casos como escapamentos adulterados, motores sem silencioso, buzinas acima do permitido, som alto em veículos e ruídos de shows ou aparelhos sonoros acima dos limites técnicos.
Na justificativa do projeto, a própria Câmara reconhece que há “constantes reclamações de moradores do município relacionadas à perturbação do sossego público”, especialmente envolvendo carros, motocicletas, caminhões, serviços de som ambulante, bares e chácaras de lazer.
Para os moradores, no entanto, o principal problema não é mais a falta de regra, mas sim a ausência de fiscalização efetiva e de resposta rápida por parte do poder público. No grupo, a cobrança foi clara: se existe lei, ela precisa sair do papel.
Cobrança por providências
Ao final da discussão, o vereador Jhony do Depósito afirmou que pretende pedir apoio dos demais vereadores do grupo para marcar uma reunião com os departamentos responsáveis e discutir soluções concretas para o bairro. Já os moradores esperam que a mobilização resulte em ações práticas, como maior presença da fiscalização, atuação mais efetiva da GCM e da PM, identificação dos responsáveis e aplicação das penalidades previstas na legislação.
Enquanto isso, o desabafo dos moradores do Bom Jardim expõe um problema que, segundo eles, já deixou de ser pontual para se tornar parte da rotina de quem só quer o básico: o direito de descansar dentro da própria casa.









