Bastidores da Política

O orçamento dos sonhos e a realidade da execução

Quem acompanha orçamento público sabe: a LDO costuma ser um dos documentos mais reveladores — não pelo que entrega, mas pelo que promete.

A proposta da LDO 2027 chega à Câmara com um discurso bonito e difícil de discordar: geração de emprego, desenvolvimento social, sustentabilidade, tecnologia, Agenda 2030, transparência e eficiência. Tudo isso aparece entre as prioridades oficialmente descritas para o próximo exercício.

Mas um olhar para os números mostra um detalhe que merece atenção.

Na comparação com a LDO 2026, o município projeta novamente crescimento de arrecadação e aumento da capacidade financeira. As receitas previstas seguem subindo ano após ano — saindo da faixa de R$ 232 milhões em 2025, passando por R$ 244 milhões e chegando à previsão superior a R$ 253 milhões em 2027.

Até aí, nada fora do normal.

O ponto que merece debate público é outro: o quanto daquilo que foi planejado anteriormente realmente saiu do papel?

O próprio anexo de avaliação da LDO mostra que, em 2025, as receitas e despesas realizadas ficaram abaixo das metas inicialmente previstas. A arrecadação executada terminou cerca de R$ 3 milhões abaixo do esperado.

Não significa erro de gestão por si só — orçamento é projeção. Mas reforça uma pergunta que deveria nortear a audiência pública: antes de ampliar metas para 2027, o que já foi entregue daquilo que estava desenhado para 2026?

Porque orçamento municipal não se mede pelo tamanho da planilha.

Se mede pela obra concluída, pela estrada recuperada, pelo remédio disponível, pela escola equipada e pelo serviço funcionando.

A audiência pública da LDO talvez seja um dos raros momentos em que o cidadão consegue perguntar algo simples — e poderoso:

o que foi prometido no papel virou realidade na rua?

Parte superior do formulário

Quando o problema não é ter candidatos. É ter muitos palanques.

A notícia de que o vice-prefeito Tutinho teria sido convidado pelo Republicanos para disputar uma cadeira na Assembleia Legislativa abre uma discussão que vai muito além da eleição de 2026.

Se todas as movimentações anunciadas até aqui realmente se confirmarem, Rio das Pedras poderá chegar ao próximo pleito com um cenário raro para uma cidade do seu porte: uma pré-candidata a deputada federal (Vanessa Botam – PL) e três pré-candidatos a deputado estadual (Cris Uber – PSDB, Dr. Bonassa – PSB, Tutinho – Republicanos) ligados ao município.

De um lado, isso pode ser interpretado como demonstração de maturidade e fortalecimento político. Durante décadas, cidades pequenas reclamaram da falta de representantes próprios e da dependência de políticos de fora. Sob essa ótica, ter nomes locais buscando espaço em Brasília e na Alesp seria sinal de que RdP passou a acreditar mais no próprio peso político.

Mas política raramente tem apenas uma leitura.

Porque, por trás da multiplicação de candidaturas, existe um assunto que circula nos bastidores há muito tempo: a dificuldade histórica de convivência entre diferentes grupos dentro da própria administração municipal.

Nunca foi segredo para quem acompanha os corredores do poder que o grupo ligado ao vice-prefeito, em vários momentos, foi percebido como mais distante dos centros de decisão do governo. Sem rompimentos públicos, sem grandes embates em microfone aberto — mas também sem ocupar, aos olhos de muitos observadores, o mesmo espaço político de outros setores da administração.

Agora, com o calendário eleitoral começando a acelerar, aquilo que antes aparecia apenas nos comentários reservados parece começar a ganhar contorno público.

De um lado, integrantes da base governista sinalizam simpatia e apoio ao projeto estadual do Dr. Bonassa. De outro, há quem defenda que o caminho natural seria fortalecer o próprio vice-prefeito.

No meio disso tudo aparece uma pergunta que ainda não tem resposta — mas que certamente será observada nos próximos meses: a administração municipal conseguirá sustentar mais de um projeto eleitoral sem transformar disputa externa em disputa interna?

Porque lançar vários nomes pode ser demonstração de força. Mas dividir grupos, lideranças e estruturas também pode significar pulverizar capital político. E eleição, como orçamento, costuma revelar mais sobre prioridades do que sobre discursos.

A partir de agora, talvez a pergunta deixe de ser quem será candidato. E passe a ser: quem realmente terá o grupo inteiro ao lado quando começar a campanha?

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