Após série de denúncias e reportagens publicadas pelo jornal O Verdadeiro sobre o estado crítico das pontes sobre o Ribeirão Tijuco Preto, a Prefeitura de Rio das Pedras iniciou, nesta quarta-feira (8), intervenções em alguns dos pontos mais afetados pela erosão no perímetro urbano.
As ações, no entanto, embora indiquem uma resposta às cobranças, ainda levantam dúvidas quanto à qualidade técnica dos serviços executados e à eficácia das medidas adotadas para solucionar de forma definitiva os problemas estruturais.
Na ponte da Rua Paulo Castelani, onde havia um grande buraco na calçada, foi realizada a concretagem do trecho danificado. Também houve a retirada de lixo e entulho acumulados na cabeceira da ponte. No entanto, o material retirado foi apenas deslocado para um terreno ao lado do córrego, sem destinação adequada.
Já na Rua Ângelo Pascon, ponto onde a calçada havia cedido completamente e um pedestre chegou a cair no ribeirão, a Prefeitura realizou a instalação de tubulações para melhorar a drenagem da água. Em seguida, foi feita a concretagem para fixação dessas estruturas.
A execução do serviço, porém, chamou a atenção. Segundo relatos, não foi instalada nenhuma contenção para impedir que o concreto escorresse diretamente para o leito do ribeirão. O material teria sido despejado diretamente sobre a tubulação, levantando questionamentos sobre possíveis impactos ambientais e a durabilidade da obra.
Após essa etapa, equipes lançaram terra no local onde deverá ser construída uma nova calçada. Também foram realizadas ações de limpeza parcial e a supressão de algumas árvores no entorno da ponte.
De acordo com funcionários da própria Prefeitura, os trabalhos deverão avançar para outras pontes que apresentam problemas semelhantes ao longo do Ribeirão Tijuco Preto.
Problema persiste em outros pontos
Apesar do início das intervenções, a situação segue crítica em diversos trechos da cidade.
Após a repercussão da reportagem, leitores também denunciaram outro ponto preocupante: uma passagem sobre córrego na Rua Quintino Bocaiúva, que dá acesso ao bairro Vitória Perim Cezarino (Pombal).
No local, a água que extravasa do reservatório conhecido como “Tancão da Painco” passa sob a via em direção ao Ribeirão Tijuco Preto. Em uma das margens, a erosão já abriu um grande buraco na calçada, deixando expostas tubulações da rede de distribuição de água — mais um indicativo de que o problema não se limita às pontes já conhecidas.
Cenário já havia sido denunciado
No dia 26 de março, o jornal O Verdadeiro mostrou que a deterioração das pontes ao longo do ribeirão representava risco iminente à população, com registros de acidentes, calçadas destruídas, obras paralisadas e sinalizações precárias.
Na ocasião, a Prefeitura foi questionada sobre plano emergencial, laudos técnicos, prazos e recursos para execução das obras, mas limitou-se a informar que a situação estava “em análise”.
Entre resposta e improviso
O início das intervenções demonstra que as cobranças surtiram efeito. No entanto, a ausência de informações técnicas claras, aliada à forma como parte dos serviços vem sendo executada, reforça a preocupação de que as medidas adotadas possam ter caráter paliativo.
Enquanto isso, moradores seguem convivendo com estruturas fragilizadas e com o receio de que novos desmoronamentos ocorram, especialmente diante da possibilidade de novas chuvas.










