O Partido Liberal (PL) saiu fortalecido das eleições realizadas no último domingo (4), consolidando-se como a maior força partidária do Congresso Nacional. A legenda, que tem Flávio Bolsonaro como candidato à Presidência da República, conquistou resultados históricos na Câmara dos Deputados e no Senado Federal, além de ampliar sua participação nos governos estaduais e nas assembleias legislativas.
Ao todo, o PL elegeu 121 deputados federais e 19 senadores. Considerando os parlamentares que ainda possuem quatro anos de mandato, a bancada deverá alcançar 28 integrantes no Senado em fevereiro de 2027, ocupando mais de um terço das 81 cadeiras.
O crescimento também ocorreu nos estados. O partido elegeu cinco governadores no primeiro turno e 212 deputados estaduais e distritais, consolidando sua presença nas diferentes esferas do Poder Legislativo.
Maior bancada do Senado desde 1988
O resultado mais expressivo ocorreu no Senado Federal, onde o PL conquistou 19 das 54 vagas em disputa, o equivalente a 35,2% das cadeiras renovadas.
Com a soma dos mandatos em andamento, a legenda deverá reunir 28 senadores, correspondentes a 34,6% da Casa. Segundo levantamento da Agência Senado, será a maior bancada de um único partido no início de uma legislatura desde a promulgação da Constituição de 1988. O recorde anterior pertencia ao MDB, então PMDB, que iniciou a legislatura de 1999 com 27 representantes.
Outro feito histórico foi a conquista das duas vagas ao Senado em cinco unidades da Federação: Distrito Federal, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, Rondônia e Santa Catarina.
Entre os eleitos estão Michelle Bolsonaro e Bia Kicis, pelo Distrito Federal; Carlos Bolsonaro e Carol de Toni, por Santa Catarina; e André do Prado, por São Paulo.
A nova composição também deverá alterar o equilíbrio político entre o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal (STF). Cabe ao Senado processar e julgar ministros do Supremo por crimes de responsabilidade, além de analisar indicações presidenciais para tribunais superiores.
O fortalecimento do PL amplia a capacidade de articulação dos parlamentares alinhados ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Entretanto, a bancada de 28 senadores não garante, isoladamente, maioria para essas decisões. Uma eventual condenação de ministro do STF exige o apoio de 54 senadores.
Câmara terá 121 deputados do PL
Na Câmara dos Deputados, o PL conquistou 121 das 513 cadeiras, equivalentes a 23,6% do total. O desempenho supera o resultado de 2022 e representa a maior bancada de um partido na Câmara desde a eleição de 1986.
A segunda maior representação será da Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, que conquistou 88 vagas.
Entre os principais destaques individuais estão Nikolas Ferreira, de Minas Gerais, e Lucas Pavanato, de São Paulo. Ambos ultrapassaram três milhões de votos e terminaram como os dois candidatos a deputado federal mais votados do Brasil.
Nikolas estabeleceu um novo recorde nacional de votação para a Câmara, enquanto Pavanato recebeu 3.038.438 votos em São Paulo.
Minas Gerais será o estado com a maior representação federal do PL, com 21 deputados, seguido por São Paulo, com 19, e Rio de Janeiro, com 15.
Partido conquista cinco governos estaduais
O PL também liderou o número de governadores eleitos no primeiro turno, conquistando cinco estados: Sergio Moro, no Paraná; Luciano Zucco, no Rio Grande do Sul; Jorginho Mello, em Santa Catarina; Marcos Rogério, em Rondônia; e Arthur Henrique, em Roraima.
O resultado representa um avanço em relação a 2022, quando a legenda elegeu dois governadores.
A presença do partido nos governos estaduais ainda poderá aumentar. No Amazonas, Maria do Carmo Seffair disputará o segundo turno, marcado para 25 de outubro.
No Rio de Janeiro, Douglas Ruas (PL) também poderá ser declarado eleito no primeiro turno, dependendo de decisão da Justiça Eleitoral sobre a validade dos votos atribuídos a Anthony Garotinho (Republicanos).
Além das vitórias próprias, o PL mantém alianças com governadores de outras legendas, entre eles Tarcísio de Freitas (Republicanos), reeleito em São Paulo.
Crescimento nas assembleias legislativas chega a 68%
A expansão da legenda também foi registrada nas assembleias legislativas e na Câmara Legislativa do Distrito Federal.
O partido elegeu 212 representantes em 2026, contra 126 na eleição de 2022. O crescimento de 86 cadeiras corresponde a um aumento de aproximadamente 68%.
Em São Paulo, o PL manteve a liderança na Assembleia Legislativa (Alesp), ampliando sua bancada de 21 para 27 deputados estaduais, de um total de 94 cadeiras.
Entre os eleitos estão Alex Madureira, que conquistou a reeleição com 122.704 votos, e Franco Sardelli, com 98.375 votos.
A deputada estadual mais votada de São Paulo também pertence ao PL: Eduarda Campopiano recebeu 1.956.238 votos.
Flávio Bolsonaro chega ao segundo turno na liderança
Outro resultado importante para o partido foi o desempenho de Flávio Bolsonaro na disputa pela Presidência da República.
O senador terminou o primeiro turno com 47,03% dos votos válidos, somando mais de 56,1 milhões de votos. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, obteve 45,16%, com aproximadamente 53,9 milhões de votos.
Os dois voltarão a se enfrentar nas urnas em 25 de outubro.
Independentemente do resultado da disputa presidencial, o PL chegará a 2027 com a maior representação individual nas duas Casas do Congresso Nacional e presença ampliada nos governos estaduais.
Esse crescimento deverá proporcionar maior influência nas negociações políticas, na definição das pautas legislativas e na distribuição dos espaços de comando do Congresso. Apesar da expansão, o partido continuará dependendo de alianças com outras legendas para aprovar propostas que exijam maioria absoluta ou qualificada.
O resultado das urnas consolida o PL como uma das principais forças políticas nacionais e estabelece uma nova configuração de poder para a legislatura que terá início em fevereiro de 2027.










