Bastidores da Política

13º, caixa e prioridades

A atual gestão municipal de Rio das Pedras costuma destacar sua boa relação com o funcionalismo público. E, de fato, há méritos que costumam ser reconhecidos pelos servidores, como reajustes salariais acima da inflação em alguns momentos, valorização do vale-alimentação e a antecipação da primeira parcela do 13º salário em anos anteriores.

Por isso mesmo, causou surpresa entre muitos funcionários a ausência do pagamento antecipado da primeira parcela do benefício neste mês de junho. Nos corredores da Prefeitura, o comentário que circula é de que o município não teria disponibilidade financeira para repetir a antecipação realizada em outros anos.

É justamente aí que surge o questionamento.

Na semana passada, um decreto publicado no Diário Oficial mostrou o remanejamento de R$ 500 mil originalmente vinculados à folha de pagamento para ações relacionadas à cultura e turismo. Embora o procedimento seja legal e faça parte da gestão orçamentária, a coincidência dos fatos inevitavelmente alimenta dúvidas entre os servidores.

Claro que uma coisa não necessariamente está ligada à outra. Afinal, a legislação permite que o 13º salário seja pago em parcela única ou dividido, com a primeira parcela até 30 de novembro e a segunda até 20 de dezembro. Ou seja, não existe obrigação legal de antecipação.

Ainda assim, quando uma administração cria uma expectativa positiva ao longo dos anos, a mudança de prática costuma gerar desconforto. E, neste caso, a pergunta que muitos servidores passaram a fazer é simples: se havia recursos para remanejar meio milhão de reais para outras áreas, por que não houve recursos para manter uma antecipação que já vinha se tornando tradição?

 

Porta fechada?

Uma das frases mais comentadas da semana em Rio das Pedras não veio do prefeito. Veio da tribuna da Câmara: “Como faço para marcar uma reunião com o prefeito?”

A pergunta feita pelo vereador Jhony do Depósito talvez tenha resumido um sentimento que já circula há tempos pela cidade. E o motivo é simples: se um vereador eleito não consegue ser recebido, qual a chance de um cidadão comum conseguir?

A reclamação ganhou peso porque não ficou restrita a um parlamentar. A vereadora Marga Padoveze revelou que aguarda uma reunião desde junho do ano passado. Quase um ano de espera.

O episódio criou uma situação curiosa. Em vez de vereadores levarem cobranças da população ao prefeito, foi a própria população que passou a usar os vereadores para cobrar acesso ao prefeito.

Bastou a notícia ser publicada para surgirem comentários nas redes sociais repetindo a mesma linha: “se não atende vereador, imagine nós”.

E convenhamos: politicamente, esse talvez seja o maior problema da história.

Obras atrasam, contratos geram polêmica, decisões administrativas dividem opiniões. Tudo isso faz parte da política. Mas a percepção de distância é muito mais difícil de administrar.

Porque ninguém espera que o prefeito concorde com todo mundo.

Mas espera, pelo menos, que atenda o telefone.

Nos bastidores, há quem diga que o isolamento do gabinete está se transformando em assunto mais comentado do que muitas das ações da própria administração. E, em política, quando a ausência começa a chamar mais atenção do que a presença, o sinal amarelo já está aceso há algum tempo.

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