O novo levantamento do Índice de Progresso Social (IPS Brasil) 2026 trouxe um retrato detalhado da qualidade de vida nos 5.570 municípios brasileiros — e os dados de Rio das Pedras mostram um cenário de contrastes: enquanto o município apresenta desempenho relativamente positivo em áreas ligadas à estrutura básica de vida, ainda enfrenta dificuldades importantes em oportunidades para a população e em indicadores ligados ao desenvolvimento social.
Divulgado nesta quarta-feira (20), o IPS mede qualidade de vida com base em 57 indicadores sociais e ambientais, organizados em três grandes dimensões: Necessidades Humanas Básicas, Fundamentos do Bem-Estar e Oportunidades. Diferentemente de rankings econômicos, o estudo busca responder se a população consegue transformar riqueza em qualidade de vida concreta.
Segundo o painel de Rio das Pedras, o município alcançou 66,56 pontos em uma escala de 0 a 100, ficando na 437ª colocação nacional entre os 5.570 municípios e na 250ª posição entre os 645 municípios paulistas. O resultado coloca a cidade ligeiramente acima da média brasileira, mas distante dos municípios que lideram o indicador.
O estudo também mostra que Rio das Pedras está inserida em um grupo de municípios com PIB per capita de R$ 63 mil, ocupando a 776ª posição nacional nesse indicador econômico.
Oportunidades puxam Rio das Pedras para baixo
A dimensão que mais chama atenção negativamente é Oportunidades.
Rio das Pedras obteve apenas 43,64 pontos, ocupando a 2.841ª posição nacional — seu pior resultado entre os três grandes grupos do IPS.
Os indicadores mais sensíveis foram:
- Direitos Individuais: 23,00 pontos (3.474º);
- Liberdades Individuais e de Escolha: 54,77 pontos (2.253º);
- Inclusão Social: 58,66 pontos (3.207º);
- Acesso ao Ensino Superior: 38,13 pontos (1.316º).
Esse bloco considera fatores como acesso a direitos, inclusão, presença feminina e negra em espaços institucionais, gravidez na adolescência, acesso à cultura e continuidade educacional.
Educação segura resultado, mas acesso e qualidade ainda limitam avanço
Na dimensão Fundamentos do Bem-Estar, Rio das Pedras caiu para 70,53 pontos, ocupando apenas a 603ª posição nacional.
O principal destaque positivo ficou em Acesso ao Conhecimento Básico, que alcançou 82,44 pontos, reflexo de indicadores educacionais do ensino fundamental e médio.
Por outro lado, o município perdeu desempenho em áreas consideradas estratégicas para desenvolvimento de longo prazo:
- Acesso à Informação e Comunicação: 73,74 pontos (1.915º);
- Saúde e Bem-Estar: 61,37 pontos (953º);
- Qualidade do Meio Ambiente: 64,59 pontos (468º).
Entre os itens avaliados estão expectativa de vida, mortalidade evitável, acesso à internet, áreas verdes urbanas e exposição ambiental.
Base funciona, mas desenvolvimento perde força
O melhor desempenho rio-pedrense aparece em Necessidades Humanas Básicas, dimensão que reúne indicadores ligados a saúde primária, saneamento, moradia e segurança.
Rio das Pedras alcançou 85,50 pontos, ocupando a 167ª posição nacional nessa categoria.
Dentro desse eixo, os melhores resultados vieram de:
- Moradia: 92,30 pontos (1.783º no país);
- Água e saneamento: 88,88 pontos (594º);
- Segurança pessoal: 82,08 pontos (562º).
Já o indicador de Nutrição e Cuidados Médicos Básicos registrou 78,74 pontos, ficando em posição intermediária no ranking nacional.
Na prática, os dados sugerem que o município consegue entregar condições mínimas de infraestrutura e atendimento básico relativamente satisfatórias quando comparado à média nacional.
O que mostram as cidades líderes
Enquanto Rio das Pedras aparece em posição intermediária, o ranking nacional voltou a ser liderado por Gavião Peixoto, que alcançou 73,10 pontos e manteve o primeiro lugar pelo terceiro ano consecutivo. Já na região de Piracicaba, o destaque ficou para Rafard, que ganhou posições e apareceu como referência regional em qualidade de vida.
Para Rio das Pedras, o levantamento deixa um sinal claro: infraestrutura básica tem desempenho competitivo, mas o desafio passa cada vez mais por criar condições para que desenvolvimento econômico se converta em mais oportunidades, inclusão e bem-estar para a população.









