Pais reclamam de atendimento municipal para crianças especiais

Pais reclamam de atendimento municipal para crianças especiais

Pais e responsáveis por crianças com necessidades especiais, principalmente as com TEA (Transtorno do Espectro Autista) e Síndrome de Down, têm reclamado do atendimento disponibilizado pela Administração Municipal, nas áreas de saúde e educação. Parte desses pais procurou o jornal O Verdadeiro para relatar os desafios encontrados. Contudo, por medo de represálias, pediram para não serem identificados.

De acordo com os pais, a Secretaria da Saúde disponibiliza apenas o acompanhamento de uma médica neurologista pediátrica, fisioterapeuta e terapeuta ocupacional (TO). “O município não tem terapia disponível, somente fono, TO e neurologista, mas nenhum deles é especialista no atendimento de crianças com necessidades especiais. A profissional de terapia ocupacional afirma que não têm os recursos e tempo necessários e se nega a atender. Diz que tem que atender em sua clínica particular para oferecer algo mais especializado”, relata uma das mães.

Um pai conta também que tem grande dificuldade para agendar consulta com a neurologista pediátrica. “A médica atende apenas uma vez por mês em Rio das Pedras e só marca para 12 crianças por vez. Em agosto, sem consulta, o remédio do meu filho acabou e só dá para comprar com receita médica. Mas não consegui marcar consulta, então tive que procurar outro médico (que não é especialista da área) só para fazer uma receita”, conta.

A reportagem do Verdadeiro questionou a Secretaria da Saúde se há mais atendimentos disponibilizados para crianças especiais, se o número de consultas neurológicas será ampliado e se de fato os pacientes são direcionados para o consultório particular de TO. Contudo, até o fechamento desta edição não houve resposta.

Educação
Na Educação, os responsáveis relatam que alguns professores não passam conteúdo específico para os estudantes especiais e que não há auxiliares suficientes. A equipe de Educação Especial do município afirmou que há 150 alunos cadastrados como com necessidades especiais e disponibiliza 57 estagiários para auxiliar nas atividades escolares e 15 professores especialistas.

“Tentamos realizar reunião com os responsáveis por esses alunos em todos os períodos, mas são poucos que comparecem. No dia 28 de agosto fizemos outra reunião, mas apenas 30 pais compareceram. É importante ouvir as reclamações e sugestões que têm a fazer, que pontuem cada caso para que possa tomar as medidas necessárias”, afirma a professora Rosângela Móvio Nalin, coordenadora de Educação Especial.

De acordo com a coordenação, os alunos com necessidades especiais precisam desenvolver autonomia e socialização dos alunos. “A Educação Especial Infantil está para desenvolver autonomia e socialização. Por isso, alguns estudantes recebem auxílio quando há necessidade. Outros têm atenção o tempo todo. Tudo depende do grau de necessidade que cada um tem”, explica a professora.

A Secretaria da Educação disponibiliza uma professora especialista que visita as escolas e dá suporte aos professores em sala de aula, inclusive a respeito do sistema de ensino desenvolvido para cada necessidade. “A inclusão ocorre também com alunos com dificuldade de aprendizado. O professor em sala de aula identifica o déficit de aprendizado e comunica para que seja iniciado o acompanhamento mais de perto”, complementa.

Os responsáveis pelos estudantes questionam o posicionamento da Educação e afirmam que alguns professores não têm comprometimento com a situação. “Eu gostaria muito de ver meu filho independente, mas na fase de desenvolvimento eles precisam de apoio. A equipe da Educação Especial tem boa vontade, mas falta essa boa vontade em alguns professores, principalmente nos mais antigos. Ter uma educação de qualidade faz a diferença no futuro de nossas crianças”, disse um pai de aluno especial.

A Secretaria da Educação, por sua vez, garante que a maioria dos professores efetivos tem especialização em educação especial.

Outro serviço oferecido pela Educação Municipal é a Sala de Recursos oferecido no contra turno do Ensino Fundamental I. Contudo, a pasta afirma que a procura é pequena. “Os responsáveis que gostariam que os estudantes participem da Sala de Recursos devem procurar a secretaria da escola com o laudo médico e passar pela psicóloga escolar para depois ser inserido.”

Mais uma vez os pais discordam e afirmam haver deficiência no atendimento: “os pais desanimam de levar os filhos na Sala de Recurso porque não tem o necessário para desenvolver todas as atividades que nossos filhos precisam”.

Por fim, os pais de alunos pedem mais investimentos na atenção básica de crianças com necessidades especiais. “A Educação fala para nós pais que temos que passar mais tempo com nossos filhos. Mas, como podemos fazer isso se temos que trabalhar ainda mais, nos matar, para pagar pelos tratamentos que a Saúde deveria oferecer? Para pagar shows a Prefeitura tem dinheiro, mas para comprar remédios que de alguns casos está faltando e para oferecer mais atendimentos, para isso não tem dinheiro”, conclui a mãe de um estudante com autismo.

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