De quem é o “pai da criança”?
Na política, existe uma disputa que parece nunca sair de moda: quem é o “pai da criança”? Sempre que uma conquista chega ao município, rapidamente surge uma corrida silenciosa para ver quem aparece primeiro na foto — ou no vídeo.
Com a nova ambulância destinada a Rio das Pedras, entregue pelo Governo do Estado em cerimônia realizada em Itu, a história não foi muito diferente.
A articulação que resultou na conquista começou com uma solicitação feita por Vanessa Botam e pelo vereador Leandro Penatti ao deputado estadual Alex Madureira, que intermediou o pedido junto ao Governo do Estado e viabilizou a inclusão do município entre os contemplados.
Mas bastou a ambulância aparecer para começar o tradicional jogo de interpretações. O vereador Max Prestes esteve na cerimônia em Itu e gravou um vídeo no local. Embora não tenha afirmado de forma explícita que seria o responsável pela conquista, o conteúdo deixou no ar uma interpretação que muitos entenderam como tentativa de assumir o protagonismo da história.
No mesmo evento, o prefeito, ao lado do secretário municipal da Saúde e do presidente da Câmara, também gravou vídeo comemorando a chegada da ambulância, mas sem mencionar ou agradecer quem de fato fez a articulação junto ao deputado e ao Governo do Estado.
Nos bastidores da política local, esse tipo de situação já virou quase um roteiro conhecido. Quando o problema aparece, poucos querem assumir a responsabilidade. Mas quando a solução chega, não faltam candidatos dispostos a registrar o próprio nome na certidão de nascimento da conquista.
Chuva no plenário
No final do ano passado, o presidente da Câmara comemorou com entusiasmo a devolução de quase R$ 2 milhões do duodécimo ao Poder Executivo, valor que não foi utilizado pelo Legislativo ao longo do exercício. O gesto foi apresentado como exemplo de economia e responsabilidade com o dinheiro público.
Mas a sessão ordinária desta semana trouxe um contraste curioso entre o discurso e a realidade.
Enquanto vereadores ocupavam a tribuna para fazer solicitações e cobranças de melhorias ao prefeito, o plenário oferecia uma cena um tanto simbólica: um balde estrategicamente posicionado tentava conter as goteiras que caíam do teto, bem ao lado das poltronas destinadas ao público que acompanha os trabalhos legislativos.
A água pingava, o carpete molhava e o balde cumpria a missão improvisada de evitar um estrago maior — tudo isso dentro da chamada Casa de Leis, responsável justamente por fiscalizar e cobrar melhorias na cidade.
E vale lembrar: o problema na cobertura do prédio não é exatamente novidade. As goteiras já frequentam o plenário há algum tempo, como se também quisessem acompanhar de perto os debates da política local.
No fim das contas, fica a dúvida que ecoou entre alguns presentes: será que não dava para guardar uns trocados daqueles quase R$ 2 milhões para consertar o telhado?









