Bastidores da Política

Educação longe da nota 10

O início do ano letivo na rede municipal de Rio das Pedras segue cercado de questionamentos e contradições. Pais e mães de alunos denunciam a falta de entrega de material escolar e uniformes, situação que, segundo relatos, se arrasta desde 2024. A cobrança ganhou força nas redes sociais e na imprensa local, levando o secretário municipal de Educação a publicar um vídeo afirmando que há material disponível nas secretarias das escolas e que os responsáveis devem procurar as unidades.

Na prática, porém, a realidade apontada por pais, professores e servidores da rede é bem diferente. Famílias afirmam que não receberam qualquer comunicado oficial orientando a retirada de materiais, enquanto professores relatam que o estoque existente nas escolas é reduzido e insuficiente para atender a todos os estudantes. Ou seja, mesmo que haja algum material em determinadas unidades, ele não cobre a demanda de aproximadamente 4.800 alunos da rede municipal.

A fala oficial, além de não resolver o problema central, gera um efeito colateral preocupante: o prejuízo ao comércio local. Papelarias e lojas que vendem material escolar reforçaram seus estoques justamente diante da ausência de fornecimento por parte da administração municipal. Com a declaração de que “há material disponível”, muitos pais podem deixar de comprar os itens, buscar a escola e, ao não encontrar o que precisam, ficam frustrados — enquanto comerciantes acumulam produtos encalhados.

O resultado desse desencontro é perverso: comerciantes no prejuízo, famílias desorientadas e estudantes sem a estrutura mínima necessária para um bom aprendizado. Em meio a discursos, vídeos e versões conflitantes, o que se vê é que ainda falta muito para que a educação municipal chegue, de fato, perto da tão falada “nota 10”.

 

Um novo tom na Câmara… mas até quando?

O retorno das sessões ordinárias da Câmara Municipal de Rio das Pedras, na segunda-feira (2), trouxe um espetáculo que há tempos não era encenado no plenário: vereadores falando. E falando muito. Opiniões, críticas, cobranças, divergências e discursos firmes tomaram conta da sessão — um verdadeiro festival democrático que fez alguns mais atentos até esfregarem os olhos para confirmar se estavam, de fato, na mesma Câmara.

Durante a sessão, parlamentares trataram dos mais variados temas, cobraram providências e demonstraram, ao menos no discurso, independência. Foi bonito de ver. Algo que contrastou fortemente com o primeiro ano da atual gestão municipal, quando boa parte do Legislativo parecia ter adotado uma postura mais contemplativa — quase devocional — diante do Executivo. Naquele período, projetos passavam com facilidade, questionamentos eram raros e o tradicional “amém” ao prefeito ecoava com frequência, ainda que de forma silenciosa, respeitosa e alinhada.

Agora, o tom mudou. Ou pelo menos aparenta ter mudado. A tribuna virou palco, os microfones ganharam voz e o espírito fiscalizador, adormecido por meses, resolveu despertar. Mas quem acompanha a política local em Rio das Pedras há mais tempo sabe que cautela nunca é demais. A súbita conversão ao discurso crítico levanta uma pulga atrás da orelha: estamos diante de um novo Legislativo, mais independente e atuante, ou apenas de um momento estratégico de encenação?

Há quem diga que o “amém” não foi abandonado — apenas substituído por um tom mais alto, talvez na esperança de ser ouvido do outro lado da praça. Críticas em público, afagos nos bastidores e, quem sabe, uma reunião garantida na agenda do prefeito. Afinal, política também é sobre ser notado, e nada como alguns minutos de cobrança em plenário para abrir portas que, até então, pareciam fechadas.

O início foi animador, sem dúvida. Mas a pergunta que fica é simples e direta: esse novo tom veio para ficar ou é apenas um culto rápido, daqueles que terminam antes do ofertório? A população seguirá atenta, observando se os discursos continuarão firmes quando as votações apertarem — ou se os “améns” voltarão a ecoar, ainda que em voz baixa.

 

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