Cinco animais são envenenados no Sem Terra; um cão e um gato morreram

Duque, uma das vítimas, se recupera em uma clínica veterinária. Foto: redes sociais.

O bairro Vitório Cezarino, conhecido como Sem Terra, em Rio das Pedras, vive dias de indignação e medo. Nos últimos dias, cinco animais foram vítimas de envenenamento na região próxima à Avenida Antenor Cortelazzi: três cães permanecem internados em estado delicado, enquanto um cachorro e um gato não resistiram.

A comoção tomou conta das redes sociais, mas um dado recente elevou ainda mais a gravidade da situação. Um exame realizado em uma das vítimas apontou indícios claros de envenenamento proposital. O laudo identificou a presença de Roundup, produto químico usado para eliminação de mato, em quantidade muito superior ao que seria absorvido caso o animal tivesse apenas ingerido plantas contaminadas. O resultado indica que a substância foi oferecida de forma direta, caracterizando crime intencional.

A tutora do Duque, que se recupera em uma clínica veterinária, procurou auxílio com a vereadora e protetora dos animais Marga Padoveze. “Por conta de necessidade de se realizar vários exames para diagnóstico e correto tratamento, a tutora me procurou em busca de apoio. Iniciamos uma campanha nas redes sociais para buscar doações que ajudem na recuperação do Duque”, conta Marga Padoveze, que completou: “espero que o responsável por esses ataques seja identificado e pague por seus crimes conforme prevê a lei”.

 

Crime previsto em lei

O envenenamento de animais é considerado crime pela legislação brasileira. O artigo 32 da Lei de Crimes Ambientais (Lei 9.605/98) prevê pena de até cinco anos de prisão, além de multa, para quem praticar maus-tratos contra cães, gatos ou qualquer outro animal. Apesar da previsão legal, os casos de punição ainda são raros, o que reforça a necessidade de denúncia e pressão social para que os responsáveis sejam identificados e responsabilizados.

 

Sintomas que exigem atenção

Entre os sinais mais comuns de intoxicação estão vômito, salivação excessiva, tremores, convulsões, fraqueza e dificuldade para se locomover. Especialistas reforçam que, diante de qualquer suspeita, o tutor deve procurar imediatamente um médico veterinário. Levar o possível material ingerido pode auxiliar no diagnóstico e tratamento.

 

Impunidade e responsabilidade coletiva

Enquanto famílias sofrem com a perda e a internação de seus animais, o caso expõe um problema maior: a sensação de impunidade que ainda cerca crimes de maus-tratos. A denúncia é fundamental — e pode ser feita de forma anônima pelo telefone 181 ou por canais oficiais de proteção animal.

Proteger os animais é responsabilidade de todos. Mais do que adotar com consciência, é preciso que a comunidade se una contra a violência e cobre das autoridades uma investigação rápida e efetiva. O laudo que aponta envenenamento proposital não pode ser ignorado. A sociedade espera respostas — e justiça.

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