Nota 10? Os números contam outra história
Os resultados do IDEB 2025 colocam em xeque o discurso da Administração Municipal de que a Educação de Rio das Pedras estaria “alcançando a nota 10”. Os números oficiais mostram uma realidade bem mais modesta: pouca evolução em algumas etapas, queda em outras e um desempenho que perde força quando comparado ao avanço obtido por municípios vizinhos.
Nos anos iniciais, a rede municipal manteve resultado acima da meta, mas recuou de 6,6 para 6,5. Nos anos finais, a situação é mais preocupante: o IDEB caiu de 5,6 em 2021 para 5,3 em 2023 e 5,2 em 2025, permanecendo abaixo da meta. Enquanto isso, cidades próximas apresentam resultados superiores em diferentes etapas da educação básica.
A sensação de que a Educação não ocupa o espaço que deveria entre as prioridades da atual gestão também é alimentada por problemas mais visíveis no cotidiano, como a demora na entrega de materiais escolares e uniformes. É claro que um índice como o IDEB não resume sozinho toda a qualidade de uma rede de ensino, mas também não pode ser ignorado quando o próprio governo utiliza notas e slogans para celebrar sua administração.
Se a meta é chegar à “nota 10”, há um longo caminho pela frente. E, nesse caso, mais importante do que a propaganda será mostrar evolução consistente nos indicadores, melhores condições nas escolas e resultados que aproximem Rio das Pedras — e não a afastem — do desempenho alcançado pelas cidades vizinhas.
Começa a campanha. E agora, eleitor?
A partir deste domingo, 16 de agosto, começa oficialmente a propaganda eleitoral nas ruas e na internet. Até o primeiro turno, marcado para 4 de outubro, serão pouco mais de sete semanas de campanha, com candidatos apresentando propostas, buscando espaço, percorrendo cidades, ocupando as redes sociais e, como costuma acontecer, também confrontando adversários. Nas urnas estarão em disputa os cargos de presidente da República, governador, dois senadores, deputado federal e deputado estadual.
Rio das Pedras terá participação direta nessa disputa. O município conta com três candidatos a deputado: Vanessa Botam (PL), candidata a deputada federal; e Tutinho (Republicanos) e Dr. Bonassa (PSB), candidatos a deputado estadual.
Daqui para frente, o eleitor será bombardeado por santinhos, vídeos, jingles, mensagens, fotografias, impulsionamentos e publicações. Vai ver candidatos sorrindo, abraçando pessoas, visitando empresas, feiras e bairros. Alguns aparecerão todos os dias na tela do celular. Outros terão estruturas menores e talvez sejam vistos com menos frequência.
Mas eleição não pode virar concurso de popularidade nas redes sociais.
Número de seguidores não aprova projeto. Like não fiscaliza dinheiro público. Visualização de vídeo não representa capacidade para exercer um mandato. E viralizar uma publicação não significa estar preparado para representar milhares de pessoas.
O eleitor precisa aproveitar a campanha para olhar além da propaganda. Conhecer a história de quem pede seu voto, observar sua atuação, avaliar propostas, pesquisar quem está ao seu lado e, principalmente, perguntar se existe identificação e confiança naquela candidatura. Quem já ocupou cargo público deve ser julgado pelo que fez. Quem nunca ocupou precisa mostrar preparo, coerência e projetos possíveis de serem realizados.
Discordâncias políticas fazem parte da democracia. O que não deveria fazer parte dela é escolher alguém simplesmente porque seu nome apareceu mais vezes na tela do celular.
No dia 4 de outubro, não serão os algoritmos que entrarão na cabine de votação. Será o eleitor. E a responsabilidade pela escolha também será dele.









