Republicanos na ficha, PSB no palanque
Marcos Buzetto foi reeleito prefeito pelo Republicanos em 2024, tendo Tutinho, também do Republicanos, como vice. Agora, porém, declara apoio a Dr. Bonassa, pré-candidato a deputado estadual pelo PSB, e a Jonas Donizette, pré-candidato a federal pela mesma legenda. A camisa partidária mudou, mas o coração político parece ter permanecido no antigo endereço.
O problema não é o partido
É verdade que Republicanos e PSB já estiveram juntos na coligação que reelegeu Buzetto em 2024. Portanto, o diálogo entre as legendas não deveria surpreender ninguém. O problema é outro: palavra dada, especialmente quando acompanhada de aperto de mão, deveria valer mais do que conveniências eleitorais momentâneas.
Segundo relatos de pessoas presentes à confraternização de fim de ano da Prefeitura, Buzetto teria anunciado diante de funcionários e apoiadores que apoiaria Tutinho em uma possível candidatura a deputado estadual pelo Republicanos. Para reforçar a declaração, teria apertado a mão do vice diante de todos. Pelo visto, o aperto de mão pode ter vindo acompanhado de uma validade menor do que a da maionese servida no churrasco.
Tutinho ficou segurando o espeto?
Caso a promessa tenha realmente sido feita nos termos relatados à coluna, Tutinho tem motivos de sobra para se sentir politicamente abandonado. Enquanto o vice acreditava ter o apoio do chefe do Executivo, Buzetto subiu ao palco para abraçar justamente outro nome que pretende disputar o mesmo cargo. Na política, algumas alianças são assadas lentamente. Outras acabam queimadas antes mesmo de sair da churrasqueira.
O racha já chegou aos corredores
A declaração de apoio a Bonassa provocou forte desconforto entre integrantes da administração municipal. Nos corredores da Prefeitura, a pergunta deixou de ser apenas quem Buzetto apoiará. Agora, querem saber se prefeito e vice ainda fazem parte do mesmo projeto ou se a administração está apenas mantendo uma aparência de unidade enquanto cada grupo prepara o próprio caminho eleitoral.
Gratidão ou dívida política?
Em seu discurso, Buzetto afirmou que a gratidão é um dos valores mais importantes da vida pública e reconheceu que Bonassa teve papel fundamental em sua chegada à Prefeitura. Disse, inclusive, que talvez nunca tivesse se tornado prefeito sem a ajuda do antigo aliado. A declaração foi bonita, emocionada e bastante reveladora.
Há anos circulava nos bastidores a previsão de que a ajuda recebida por Buzetto teria uma contrapartida política: quando Bonassa decidisse disputar uma eleição de maior peso, chegaria o momento de retribuir. Parece que a cobrança finalmente apareceu. E, como toda dívida política antiga, veio acrescida de juros, correção monetária e possível desgaste dentro do próprio governo.
Quem paga a conta?
Buzetto pode até estar quitando uma dívida de gratidão com Bonassa, mas corre o risco de criar outra com Tutinho. A questão é saber quem acabará pagando essa conta. Pelo clima relatado dentro da Prefeitura, tudo indica que a fatura poderá ser dividida entre a administração, os aliados e a população, que assiste a mais um capítulo de uma gestão aparentemente unida nas fotografias, mas cada vez mais rachada nos bastidores.









