O bombeiro civil Jhonny Casarin, morador de Rio das Pedras, irá para La Guaira, na Venezuela, para integrar uma equipe de voluntários que atuará nas operações de busca e resgate após os terremotos que atingiram o país no dia 24 de junho. A previsão é que ele deixe o Brasil entre domingo (5) e segunda-feira (6), junto com integrantes do Corpo de Bombeiros Voluntários de São Paulo (CBV).
A missão deve durar pelo menos sete dias, com possibilidade de prorrogação, dependendo da situação encontrada pelas equipes em solo venezuelano. Segundo Casarin, o grupo ficará alojado em uma escola adaptada para servir como base e abrigo operacional aos voluntários.
“Estou indo para La Guaira, na Venezuela, junto com uma equipe do Corpo de Bombeiros Voluntários de São Paulo, para atuar diretamente nas operações de busca e resgate após os fortes abalos sísmicos que atingiram o país”, afirmou o bombeiro civil.
A Venezuela vive uma das maiores tragédias recentes da América do Sul. De acordo com a Agência Brasil, o número de mortes chegou a 2.295 na quarta-feira (1º), enquanto o total de feridos soma 11.267 pessoas. Diante da gravidade da situação, o governo venezuelano decretou luto oficial de sete dias.
Os tremores, de magnitude 7,2 e 7,5, provocaram desabamentos em diversas regiões, especialmente em La Guaira e Caracas. Equipes de resgate continuam trabalhando em áreas de difícil acesso e em estruturas colapsadas, onde ainda há possibilidade de localização de sobreviventes. A missão brasileira oficial, coordenada pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, enviou bombeiros militares, agentes da Defesa Civil, técnicos da Anatel e toneladas de equipamentos especializados para apoiar as buscas.
Jhonny afirma que seguirá para um cenário de grande destruição, mas também de esperança. Segundo ele, cada chamado pode representar a chance de salvar uma vida.
“A situação na região é crítica. Há milhares de pessoas desabrigadas, centenas de feridos e mortos, e um número ainda incerto de desaparecidos. Cada hora que passa, esses números podem mudar, infelizmente para pior”, relatou.
A decisão de embarcar para outro país em uma missão humanitária tem um peso pessoal importante. Casarin deixa em Rio das Pedras a família, incluindo o filho de apenas 2 anos e a filha de 7 anos.
“Eu deixo minha família aqui no Brasil com o coração apertado, mas com a certeza do motivo que me leva até lá. Não é fácil sair de casa nessas condições, mas é justamente por isso que escolhemos essa profissão e essa missão de vida: salvar vidas, onde quer que elas estejam precisando”, declarou.
A ida à Venezuela reforça uma trajetória já marcada pelo trabalho voluntário em grandes tragédias. Em 2024, Jhonny Casarin esteve no Rio Grande do Sul, onde passou mais de 10 dias auxiliando vítimas das enchentes que devastaram diversas cidades gaúchas. Na ocasião, atuou no resgate de pessoas ilhadas, no salvamento de animais e no apoio às famílias que perderam suas casas.
Mais recentemente, ele também se deslocou para Minas Gerais para ajudar vítimas das enchentes que atingiram cidades como Juiz de Fora e Ubá, na Zona da Mata. Durante três dias, participou de buscas, resgates, apoio às equipes locais e auxílio a famílias afetadas pela lama e pelos deslizamentos.
Em Minas, Casarin também atuou no resgate de animais, uma frente de trabalho que, segundo ele, tem grande importância em cenários de calamidade.
Agora, a missão será internacional. O bombeiro civil rio-pedrense se junta a voluntários de outros estados e a equipes de diferentes países que atuam na Venezuela em uma corrida contra o tempo. O trabalho envolve busca em escombros, apoio operacional, avaliações de risco e atuação conjunta com autoridades locais e equipes especializadas.
“Vou com fé, preparo e compromisso, junto com toda a equipe do CBV, para dar o melhor de nós em cada segundo dessa operação”, afirmou Casarin.









