Bastidores da Política

Esquerda, direita ou conveniência?

A fala do presidente da Câmara, Pastor Emerson Vieira, defendendo publicamente a volta do prefeito Marcos Buzetto ao PSB, acabou trazendo à tona uma discussão que acompanha a trajetória política do chefe do Executivo há algum tempo: afinal, qual é a identidade política de Marcos Buzetto?

Fundador do PSB em Rio das Pedras, Buzetto construiu praticamente toda sua carreira dentro de um partido historicamente ligado ao campo da centro-esquerda. Em 2024, porém, deixou a legenda para disputar a reeleição pelo Republicanos, partido identificado com pautas conservadoras e mais alinhado à direita.

Agora, ao receber elogios públicos de lideranças do PSB e ser alvo de um convite para retornar ao antigo partido, surge uma reflexão inevitável nos bastidores políticos da cidade: a mudança de legenda foi resultado de uma convicção ideológica ou apenas uma estratégia eleitoral?

Em um cenário político cada vez mais polarizado, muitos eleitores valorizam a coerência entre discurso, posicionamento e trajetória partidária. Quando um político transita com facilidade entre campos ideológicos opostos, abre espaço para questionamentos sobre suas convicções e sobre até que ponto as decisões são guiadas por princípios ou por conveniência.

Na prática, a política exige diálogo com diferentes esferas de governo e capacidade de articulação. Porém, também é verdade que mudanças frequentes de posicionamento costumam alimentar críticas de oportunismo político, especialmente quando coincidem com períodos eleitorais ou com a busca por alianças mais vantajosas.

Se voltará ao PSB ou permanecerá no Republicanos, apenas o futuro dirá. Mas a fala de Emerson Vieira reacendeu uma discussão que dificilmente passará despercebida nos próximos capítulos da política rio-pedrense.

 

Frente de Trabalho ou curral eleitoral?

A Frente de Trabalho foi criada com uma missão nobre: oferecer renda temporária, qualificação profissional e uma ponte para que pessoas em situação de vulnerabilidade retornem ao mercado de trabalho. No papel, parece uma excelente política pública. Na prática, porém, algumas perguntas começam a incomodar.

Se o programa existe para ser temporário, por que há relatos de participantes que entram, saem e retornam sucessivamente ao longo dos anos? Estaria a iniciativa cumprindo seu papel de qualificar e recolocar trabalhadores no mercado ou se transformando em uma espécie de mão de obra permanente e barata para atender demandas da Prefeitura?

Mais do que isso: quem controla os critérios de entrada no programa? Como são escolhidos os beneficiários? Existe fila? Existe pontuação social? Existe transparência suficiente para afastar qualquer suspeita de favorecimento político ou cumprimento de promessas eleitorais?

São perguntas legítimas que merecem resposta.

Mas há algo ainda mais urgente. Independentemente de quem esteja no programa, essas pessoas são trabalhadores. São homens e mulheres que limpam ruas, cortam mato, recolhem galhos, cuidam de escolas e ajudam a manter a cidade funcionando. Merecem respeito, valorização e, acima de tudo, segurança.

As imagens de trabalhadores sendo transportados sobre galhos, mato e resíduos na carroceria de caminhões causam indignação. Não se trata de partido político, governo ou oposição. Trata-se de dignidade humana.

Se a cidade depende desse trabalho para permanecer limpa e organizada, o mínimo que se espera é que esses trabalhadores sejam tratados com condições adequadas, transporte seguro e valorização compatível com a importância do serviço que prestam.

Porque política pública não pode servir para criar dependência. Ela deve criar oportunidades. E trabalhador não pode ser visto como favor político. Deve ser tratado como cidadão.

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