Moradores, empresários e motoristas têm convivido com uma sensação crescente de insegurança em Rio das Pedras diante da sequência de furtos de fiação registrados em diferentes pontos da cidade. Os crimes já atingiram residências, prédios públicos, empresas e até carretas estacionadas, deixando prejuízos financeiros e interrupção de serviços essenciais.
No último sábado (9), um grupo de jovens esteve no ginásio anexo à Escola Municipal Professor Augusto Elias Salles, junto ao Centro Educacional Raul Cesar Urbano, para jogar basquete. Segundo relatos, durante a permanência no local as luzes começaram a piscar e apagaram completamente. Pouco depois, os jovens teriam visto uma pessoa saindo dos vestiários. Há suspeitas de que a fiação tenha sido furtada naquele momento.
O problema, porém, não é isolado. Em fevereiro deste ano, durante o período de carnaval, a Unidade Básica de Saúde (UBS) Prefeito Victório Olívio Cezarino, no bairro Luiz Massud Coury, também foi alvo de criminosos. O furto da fiação provocou a suspensão temporária dos atendimentos, afetando cerca de 300 pacientes por dia.
Outro caso recente ganhou repercussão nas redes sociais após familiares de responsáveis pela empresa Scanbaia denunciarem o furto de fios em carretas estacionadas. Em vídeo gravado no local, uma das mulheres mostra os danos causados e afirma que os crimes têm acontecido com frequência.
“Em menos de 30 dias as carretas foram roubadas de novo. Acabou com toda a fiação da carreta, causando prejuízo grandíssimo ao motorista”, relata.
Ainda segundo ela, a situação tem gerado indignação entre trabalhadores do setor de transporte.
“Os motoristas trabalham duro e depois que acontece tudo isso têm um prejuízo gigante”, afirma.
No vídeo, ela também cobra providências das autoridades e levanta suspeitas sobre possível receptação do material furtado.
“Supostamente as pessoas roubam esses fios para vender no ferro-velho. Então não dá mais para aceitar esse tipo de situação”, disse.
Debate foi levado à Câmara
O assunto também foi debatido durante a sessão da Câmara Municipal desta segunda-feira (11). O vereador Edison Marconato relembrou que o Legislativo já discutiu medidas para restringir a comercialização de cobre em ferros-velhos da cidade. “Alguns anos atrás esta Casa já elaborou um projeto proibindo a comercialização de cobre nos ferro-velhos. Os ferro-velhos são proibidos de comprar fios de cobre”, afirmou.
O presidente da Câmara, Pastor Emerson Vieira, sugeriu ainda que a Câmara encaminhe novo comunicado aos estabelecimentos reforçando a proibição e alertando sobre responsabilizações. “Sob pena de responsabilização”, destacou.
Durante a discussão, também foi levantada a possibilidade de fiscalização mais rígida sobre empresas autorizadas a trabalhar com esse tipo de material, justamente para evitar a compra de produtos de origem ilícita.
Segundo Marconato, quando a legislação foi debatida, os furtos estavam concentrados em residências, construções e até no cemitério municipal, onde vasos de cobre eram levados pelos criminosos.
Atuação da GCM
Questionada pelo jornal O Verdadeiro, a Guarda Civil Municipal informou que os registros oficiais de furtos são feitos diretamente na delegacia. Sobre o patrulhamento, a corporação afirmou que realiza rondas em toda a cidade durante 24 horas por dia.
A GCM informou ainda que já identificou materiais furtados do cemitério municipal e que os responsáveis foram encaminhados à delegacia de Rio das Pedras.
Sobre monitoramento, a Guarda reconheceu dificuldades. Segundo a corporação, existem câmeras de baixa qualidade que não permitem identificação dos suspeitos e as câmeras speed dome atualmente não estão funcionando.
A população pode denunciar atitudes suspeitas diretamente à GCM.
Polícia Civil registra ocorrências
Já a Polícia Civil, por meio do delegado Dr. Mauro José Arthur, informou que foram registrados 19 boletins de ocorrência relacionados a furtos de fios e cabos entre janeiro e abril deste ano.
Os números mostram aumento expressivo nos meses de fevereiro e março:
- Janeiro: 1 registro
- Fevereiro: 10 registros
- Março: 7 registros
- Abril: 1 registro
Segundo o delegado, até o momento não há indícios concretos de atuação de organizações criminosas especializadas neste tipo de delito. As investigações apontam, na maioria dos casos, para usuários de drogas e pessoas em situação de rua que furtam fios e objetos com cobre para venda rápida e obtenção de dinheiro para compra de entorpecentes.
A Polícia Civil informou ainda que três pessoas foram presas em flagrante neste ano por furtos de fios e materiais de cobre, além da instauração de quatro inquéritos policiais relacionados ao tema.
Entre os principais alvos dos criminosos estão fios e cabos elétricos, equipamentos de telecomunicações e objetos que contenham cobre, metal valorizado no mercado de sucatas.
A corporação também destacou que realiza ações contínuas de combate à receptação, incluindo diligências em estabelecimentos de reciclagem e comércios de sucata, além de levantamentos feitos pelo setor de inteligência policial.
Outro ponto destacado pela Polícia Civil é a dificuldade na identificação dos autores. Segundo o delegado, os furtos geralmente acontecem durante a madrugada e são praticados por indivíduos encapuzados ou com o rosto coberto, muitas vezes em locais sem sistemas de videomonitoramento eficientes.
Polícia Militar orienta contato via 190 ou 153
A Polícia Militar do Estado de São Paulo também respondeu aos questionamentos feitos pelo jornal O Verdadeiro. A corporação informou que atende todas as ocorrências de furtos de fios quando acionada pelo telefone 190.
Sobre operações específicas de combate aos crimes, a PM destacou que investigações relacionadas à receptação são atribuição da Polícia Civil, mas defendeu fiscalização rigorosa em estabelecimentos que compram fios e cobre.
“Tais operações demandam investigações, atribuição específica da Polícia Civil, porém é importantíssimo a fiscalização de alvarás e condições sanitárias de estabelecimentos que compram os fios”, informou.
A Polícia Militar também afirmou que, geralmente, os furtos estão ligados à dependência química.
“Geralmente quem furta os fios vende em ferro-velho e com o mínimo de dinheiro compra drogas para consumo”, destacou.
Entre as orientações repassadas pela corporação a moradores e empresários estão investimentos em segurança eletrônica, alarmes e monitoramento, além do acionamento imediato do 190 e 153 diante de qualquer movimentação suspeita.
Segundo a PM, o período noturno concentra a maior incidência desse tipo de crime no município.









