O diretor de Segurança Pública de Rio das Pedras, João de Oliveira, divulgou um vídeo gravado na Área de Lazer Genatti Soave, no bairro Bom Jesus, onde apresenta uma sugestão de projeto voltado à inclusão: a implantação de uma praça sensorial para pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA).
Na gravação, ele explica que a proposta é criar um espaço planejado para estimular os sentidos de forma segura e acolhedora, com foco no bem-estar, na interação social e no desenvolvimento sensorial de crianças, adolescentes e também adultos com TEA.
A ideia, segundo ele, também poderia integrar ações de segurança pública e inclusão social, com melhorias na estrutura do local e até a adoção de policiamento de proximidade.
Projeto ainda não é oficial
Em entrevista ao O Verdadeiro, João de Oliveira explicou que a iniciativa ainda não foi formalizada junto ao poder público. Segundo ele, a proposta surgiu como uma forma “desburocratizada” de apresentar a ideia à população e iniciar o debate.
“Não levei ainda à Câmara nem ao Executivo. Para avançar, teria que entrar como iniciativa popular, com apoio de vereador e assinatura de parte da população”, afirmou.
Custo estimado e estrutura
Apesar de ainda não haver um projeto técnico formal, o diretor afirma que já fez um planejamento inicial. De acordo com ele, o custo para implantação da praça sensorial pode variar entre R$ 100 mil e R$ 400 mil, dependendo do tamanho da área utilizada.
A projeção inicial considera um espaço de aproximadamente 20 por 18 metros, com prazo de execução estimado em até seis meses. A ideia, segundo ele, seria que o município contribuísse com a cessão do espaço e a manutenção do local.
Inspiração e objetivo da proposta
João de Oliveira afirma que a proposta surgiu a partir de sua formação em neuropsicopedagogia e da percepção de que a inclusão ainda é limitada no município. “A criança muitas vezes é apenas contida, e não incluída. E a família acaba não sendo assistida”, destacou.
Ele também informou que a ideia foi avaliada por uma psicóloga com atuação em ABA (Análise do Comportamento Aplicada), abordagem voltada ao desenvolvimento de habilidades adaptativas em pessoas com TEA.
Atendimento e uso do espaço
De acordo com o diretor, a praça teria acesso livre, com utilização sob responsabilidade das famílias. No entanto, ele sugere que o espaço possa receber atividades programadas com profissionais da área, além de abrir oportunidades para estagiários.
Ainda não há levantamento oficial sobre a demanda de pessoas com TEA no município, mas, segundo ele, a repercussão do vídeo nas redes sociais indica interesse da população.
Segurança e policiamento de proximidade
Outro ponto citado na proposta é a possibilidade de reforço na segurança do local. Segundo João de Oliveira, o policiamento por bicicleta não seria exclusivo para a praça sensorial, mas poderia ser aplicado em toda a área de lazer.
“Seria uma forma de aumentar a presença da segurança pública e a sensação de segurança, inclusive com policiamento a pé, se necessário”, explicou.
Integração entre áreas e políticas públicas
O diretor defende que a iniciativa deve envolver diferentes setores. “É um conjunto entre saúde, assistência social e educação”, afirmou.
Ele também avalia que, atualmente, as políticas públicas voltadas ao TEA no município ainda são limitadas, muitas vezes restritas ao que já é exigido por lei, especialmente no ambiente escolar.
Próximos passos
Segundo o diretor, o avanço da proposta depende principalmente de apoio político e mobilização popular. “A construção poderia ser feita com emendas parlamentares e vontade política”, afirmou.
Ele acredita que, caso implementada, a iniciativa pode trazer benefícios importantes para o município. “A população pode esperar cidadania, acolhimento e mais conhecimento sobre o autismo”, concluiu.









