Salário sobe… e a pressão continua lá na ponta
A Câmara aprovou o reajuste dos servidores em Rio das Pedras. E vamos começar pelo óbvio: todo trabalhador quer ganhar mais. Não tem discussão quanto a isso. Valorizar o funcionalismo público também passa pelo salário — afinal, os profissionais da saúde, da educação, da administração e de tantos outros setores que mantêm a cidade funcionando todos os dias, muitas vezes enfrentando falta de estrutura, sobrecarga e cobrança direta da população por problemas que não dependem deles.
E esse é o ponto que vai além do contracheque.
De que adianta aumentar o salário sem melhorar as condições de trabalho?
Quantos atendentes da saúde escutam desaforos diariamente por falta de medicamentos ou pela demora em consultas e exames que simplesmente não existem na agenda?
Quantos professores precisam lidar com a cobrança de pais porque o material escolar não chegou… ou porque uma criança com Transtorno do Espectro Autista não tem o acompanhamento necessário?
Situações duras. E injustas.
Porque, na maioria das vezes, quem está na linha de frente não tem culpa nenhuma. As decisões — ou a falta delas — vêm de cima. E, curiosamente, são justamente os cargos de gestão que receberam os maiores percentuais de aumento, de quase 12%.
E a saúde mental de quem está ali, todo dia, sendo cobrado por problemas que não criou?
Vale quanto ouvir que “funcionário público não trabalha”, depois de estudar, passar em concurso e se dedicar, enquanto alguns poucos — muitas vezes protegidos por gestões — ajudam a alimentar essa imagem distorcida?
E tem mais.
Quantos setores hoje operam no limite porque não há reposição de servidores?
Aposentadorias, afastamentos… e o concurso público que não vem.
Resultado? Quem fica, segura a bronca — e paga o preço.
No fim das contas, o aumento veio.
Mas fica a pergunta que não quer calar nos bastidores: valorizar o servidor é só pagar mais… ou também dar condições reais de trabalho?
Da crítica à participação: a hora é agora
Enquanto muita gente reclama — e com razão — dos rumos da cidade, uma oportunidade concreta de participação começa a bater à porta em Rio das Pedras.
Nos dias 24 e 28 de abril, sempre às 19h30, serão realizadas as audiências públicas para discussão da LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias), instrumento que vai definir as bases do orçamento do município para 2027.
O primeiro encontro acontece no Centro Pedagógico. O segundo, na Câmara Municipal.
E aqui vai um ponto que precisa ser dito sem rodeios: não dá pra querer mudança só atrás da tela do celular.
A audiência pública é um dos poucos momentos em que o cidadão pode, de fato, opinar, questionar e influenciar diretamente como o dinheiro público será planejado e investido.
É ali que se discute prioridade.
É ali que se cobra.
É ali que se participa de verdade.
Ficar apenas nos comentários das redes sociais é fácil. Difícil — e necessário — é ocupar os espaços onde as decisões começam a ser desenhadas.
A LDO não é só um documento técnico. Ela define caminhos. E esses caminhos impactam saúde, educação, infraestrutura e o dia a dia de toda a população.









