A situação das pontes sobre o Ribeirão Tijuco Preto, no perímetro urbano de Rio das Pedras, escancara um cenário preocupante de abandono da infraestrutura pública e risco iminente à população. Ao longo de diversos pontos da cidade, estruturas apresentam erosões avançadas, buracos nas cabeceiras e intervenções improvisadas que, além de insuficientes, já não cumprem sequer a função de alertar o perigo.
Na Rua Ângelo Pascon, no bairro Dona Rosina, o problema já ultrapassou qualquer limite aceitável. A calçada cedeu completamente, formando uma enorme cratera às margens do ribeirão. O local, que já havia apresentado sinais de erosão desde janeiro, voltou a colapsar após as chuvas recentes. Nem mesmo os cavaletes colocados pela Prefeitura resistiram: foram engolidos pelo buraco e arrastados para dentro do rio.
O risco deixou de ser apenas potencial. Um pedestre chegou a cair dentro do ribeirão naquele ponto, evidenciando que a situação já afeta diretamente a segurança da população.

Sequência de problemas ao longo do ribeirão
O cenário se repete em efeito dominó ao longo do leito do Ribeirão Tijuco Preto.
Na Rua Paulo Castelani, outro grande buraco se abriu na calçada da ponte. Assim como na Ângelo Pascon, a única medida adotada foi a colocação de cavaletes — que também já foram engolidos pela erosão.
Na Rua Antônio Evaristo Petrini, a situação é ainda mais grave. A Prefeitura chegou a iniciar uma obra para recuperação da cabeceira da ponte, após a estrutura ficar exposta com a queda de manilhas. No entanto, os trabalhos estão paralisados há semanas, deixando o local em condições críticas e sem qualquer previsão de retomada.
Seguindo o curso do ribeirão, na Rua Antônio Vasques, novos pontos de erosão ameaçam a estrutura da ponte, que fica ao lado da Escola Estadual Prof.ª Maria José de Aguiar Zepellini, por onde passam centenas de estudantes. Mais uma vez, a solução encontrada foi apenas sinalização precária.
Já na Rua Prefeito Donato Marino, no bairro Cambará, a erosão avançou até o asfalto, literalmente “engolindo” a via. O trecho está interditado, mas sem qualquer obra em andamento. Foi justamente neste local que, em janeiro, dois motociclistas caíram dentro do ribeirão após passarem pelo buraco aberto na pista.
Outras vias, como Atílio Guion e Fernando Costa, também apresentam sinais claros de desgaste nas cabeceiras das pontes, indicando que o problema é generalizado — e não pontual.
Histórico ignorado e agravamento previsível
Os problemas não são recentes. Reportagem publicada pelo jornal O Verdadeiro no último dia 12 de março já alertava para o avanço da erosão e o risco de novos desmoronamentos, especialmente com a previsão de chuvas intensas.
Na ocasião, especialistas já apontavam que o solo encharcado favorece o avanço das erosões, podendo comprometer não apenas calçadas, mas também ruas inteiras e até a estrutura das pontes.
Mesmo diante desse alerta, pouco — ou praticamente nada — foi feito de forma efetiva.

Prefeitura evita responder questionamentos
Diante da gravidade da situação, O Verdadeiro encaminhou uma série de questionamentos à Prefeitura, buscando entender se há planejamento técnico, cronograma de obras, laudos estruturais e definição de recursos para enfrentar o problema.
Entre as perguntas enviadas estavam:
- Existência de plano emergencial;
- Avaliação estrutural das pontes;
- Medidas de contenção definitivas;
- Prazos de execução;
- Origem dos recursos;
- Situação das licitações.
No entanto, nenhuma dessas questões foi respondida.
A única manifestação oficial foi a seguinte:
“Aconteceu na quarta-feira (25) uma reunião entre Secretaria de Obras, prefeito e empresa que vai realizar os serviços relacionados ao assunto. Estão em fase de análise das situações para definir a ordem da execução, prazos e valores.”
A resposta genérica não esclarece prazos, não apresenta soluções concretas e tampouco demonstra urgência diante de um problema que já provocou acidentes e segue colocando vidas em risco.
Entre o improviso e o perigo
Enquanto decisões seguem “em análise”, a realidade nas ruas é outra: buracos aumentam, estruturas se deterioram e a população convive diariamente com o risco.
A repetição do mesmo padrão — erosão, sinalização improvisada e ausência de solução definitiva — evidencia uma gestão reativa, que age apenas após denúncias ou acidentes, sem planejamento estruturado para prevenir novos colapsos.
Mais do que falha administrativa, o cenário revela descuido com a segurança pública.









