Uma das placas do forro do plenário da Câmara Municipal de Rio das Pedras está pendurada, exatamente sobre a área onde ficam as mesas dos vereadores, com risco de queda a qualquer momento. Em outros pontos do plenário, o teto apresenta buracos provocados pela infiltração de água, evidenciando o avanço dos problemas estruturais no prédio do Legislativo.
A situação voltou ao centro do debate público após questionamentos levantados na coluna Bastidores da Política. Em resposta ao jornal O Verdadeiro, o presidente da Câmara, Pastor Emerson Vieira, afirmou que a solução definitiva está em fase inicial de tramitação, mas admitiu a ausência de laudo técnico e confirmou que a obra não estava prevista no planejamento de 2025.
Segundo o presidente, os problemas de infiltração passaram a se intensificar em novembro de 2025, momento em que a atual gestão afirma ter tomado conhecimento mais claro da situação.
No entanto, registros e relatos indicam que as goteiras já eram percebidas desde o início daquele ano, com episódios que incluíram a queda de parte do forro de gesso no hall de entrada e a necessidade de uso de baldes para conter a água em dias de chuva.
Questionado sobre a ausência da obra no Plano de Contratações Anual (PCA) e no PNCP de 2025, Emerson Vieira atribuiu a responsabilidade à gestão anterior, referente ao exercício de 2024. “O planejamento e a inclusão de demandas no PNCP de 2025 são de responsabilidade da gestão anterior”, afirmou.
Ainda segundo ele, após identificar o agravamento do problema, foram realizadas apenas medidas emergenciais, como limpeza e desentupimento de calhas.

Sem laudo técnico
Um dos pontos que mais chama atenção é a ausência de um diagnóstico técnico formal sobre as condições do telhado.
A própria presidência confirmou que não há laudo técnico nos registros da Câmara, e que esse documento ainda está sendo providenciado para instruir o processo licitatório.
A inexistência de um laudo levanta questionamentos sobre a condução do problema ao longo dos últimos meses, já que decisões estruturais vêm sendo tomadas sem um parecer técnico consolidado.
Soluções paliativas e problemas recorrentes
Enquanto a solução definitiva não é executada, o dia a dia da Câmara segue sendo impactado pelas infiltrações.
Além do plenário, corredores de acesso aos gabinetes também apresentam goteiras, exigindo medidas improvisadas, como o uso de baldes para conter a água. No hall de entrada, o forro de gesso chegou a ficar danificado por meses, sendo posteriormente reparado — embora ainda sem pintura final.
Licitação ainda em fase inicial
Sobre a solução definitiva, o presidente informou que um processo administrativo foi aberto no início de fevereiro de 2026 e que o caso está atualmente em tramitação nos setores técnicos.
O valor da obra ainda não foi definido, pois o processo segue no Departamento de Licitações para elaboração do Termo de Referência.
Apesar dos problemas estruturais, a presidência afirma que não há laudo que indique risco à segurança, e que medidas preventivas foram adotadas, incluindo reparos no forro de gesso.
Quanto aos gastos com manutenção, a Câmara informou que os dados estão disponíveis no Portal da Transparência, sem detalhar valores específicos já investidos nas intervenções.
Entre o planejamento e a realidade
A resposta oficial evidencia que, embora a solução definitiva esteja prevista para 2026, o problema das goteiras se arrasta há cerca de um ano, com ações limitadas a medidas paliativas e sem diagnóstico técnico formal até o momento.
Enquanto o processo administrativo avança, a situação prática ainda é visível dentro da própria Casa de Leis — onde, em dias de chuva, baldes continuam sendo parte da rotina.









