Passou no Tribunal. Mas e no teste da realidade?
As contas de 2023 foram aprovadas. Unanimidade na Câmara. Nenhuma dúvida pública. Nenhuma resistência. Tudo certo.
O Tribunal de Contas também aprovou. Mas quem leu além da primeira linha sabe que o “favorável” veio acompanhado de uma verdadeira lista de puxões de orelha, que mais parece boletim escolar de aluno repetente: nota “C” no IEG-M — e não é de “confiança”, é de baixo nível de adequação.
Creche paralisada. Vagas insuficientes para crianças de 0 a 3 anos. Esgoto despejado no Ribeirão Tijuco Preto. Coleta seletiva inexistente. Falhas no controle interno. Transparência capenga. Horas extras crescendo como se não houvesse amanhã.
Mas passou. Cumpriu índice. Cumpriu percentual. Cumpriu o mínimo.
E talvez seja esse o retrato mais fiel do momento: a cultura do mínimo.
O Tribunal foi claro ao advertir que a reincidência pode pesar nos próximos exercícios. Traduzindo: o sinal amarelo está piscando.
Nos bastidores, já tem gente dizendo que o relatório é “técnico demais” para virar debate político. Curioso. Técnico demais para discutir, mas suficiente para aprovar.
Porque no fim das contas, aprovação jurídica não apaga problema estrutural.
E talvez a pergunta mais incômoda seja esta: Se está tudo tão certo, por que a cidade continua acumulando os mesmos alertas ano após ano?
Passar não é sinônimo de melhorar. E parecer favorável não é atestado de excelência. Às vezes, o maior problema não é o que reprova. É o que passa… sem incomodar ninguém.
Quando o louvor encontra a história
A celebração dos 37 anos da Banda Mensagem Real trouxe à tona algo que vai além da música. Trouxe memória. Trouxe identidade. Trouxe bastidores que muitos talvez nem imaginassem.
No culto de inauguração, em 24 de março de 1989, quinze músicos entoaram harmonizados pela primeira vez os hinos da Harpa Cristã. Entre eles estavam nomes que, décadas depois, ganhariam projeção também na vida pública da cidade.
Na primeira apresentação oficial da banda, em 19 de maio daquele mesmo ano, durante o congresso da mocidade, quatro novos músicos fizeram sua estreia. Entre eles, dois nomes que hoje fazem parte do cenário político de Rio das Pedras: o atual prefeito Marcos Buzetto e Edson Donizete Ambrósio, o Pastor Edinho, candidato a vice-prefeito na chapa de Vanessa Botam.
Antes de ocuparem cargos, antes dos palanques, antes das disputas eleitorais, estavam ali. Jovens músicos. Instrumentos nas mãos. Partituras abertas. Olhos voltados para o altar.
A história mostra que a Banda Mensagem Real não formou apenas instrumentistas. Formou líderes, cidadãos, homens públicos que carregaram em sua formação valores como disciplina, dedicação, trabalho em equipe e reverência a Deus.
E se há algo que não pode passar despercebido é o papel cultural e espiritual que a banda exerce há quase quatro décadas. O jornal O Verdadeiro tem profunda admiração e respeito pelo inspirador trabalho de louvor realizado por esse ministério ao longo dos anos.
Não é de hoje essa parceria. Em meados dos anos 2000, quando o jornal promovia o tradicional prêmio Melhores do Ano — evento que laureava comerciantes e profissionais liberais eleitos pelos leitores —, eram os músicos da Banda Mensagem Real que abrilhantavam a cerimônia com apresentações marcantes. O reconhecimento profissional vinha acompanhado de louvor. Negócios e fé dividiam o mesmo palco.
A história da cidade se constrói assim: com gente que começa servindo, aprendendo, tocando, ensaiando… e que, com o tempo, assume novas responsabilidades. A política passa. Os mandatos passam. Mas o legado espiritual permanece.
E a Mensagem, essa continua sendo Real.









