A tragédia provocada pelas fortes chuvas que atingiram as cidades de Juiz de Fora e Ubá, na Zona da Mata de Minas Gerais, mobilizou equipes de resgate de diferentes regiões do país. Entre os voluntários que decidiram se deslocar até a região para ajudar as vítimas está o bombeiro civil Jhonny Casarin, morador de Rio das Pedras.
Casarin integra o grupo Bombeiros Voluntários de São Paulo e costuma participar de ações de apoio em desastres naturais pelo Brasil. Sensibilizado com a situação em Minas Gerais, ele decidiu viajar até a região para auxiliar nas operações de resgate e apoio às comunidades atingidas.
“Eu trabalho como bombeiro civil e faço parte dos Bombeiros Voluntários de São Paulo. Sempre quando acontece alguma coisa em qualquer estado do Brasil eu gosto de ir para ajudar e apoiar. Igual foi no Rio Grande do Sul, onde fiquei 16 dias”, contou.
A viagem para Minas aconteceu logo após um trabalho realizado por ele em um evento na Rua do Porto, em Piracicaba, onde atuou como salva-vidas. No sábado, após encerrar o serviço, seguiu viagem e chegou ao destino ainda no mesmo dia.
Durante três dias, entre sábado e segunda-feira, Casarin atuou nas cidades atingidas, participando de resgates, apoio às equipes locais e auxílio às famílias afetadas pela tragédia.
Cenário de destruição
As fortes chuvas deixaram um rastro de destruição na região. A tragédia provocou 72 mortes, além de milhares de pessoas desalojadas ou desabrigadas.
Mesmo dias após o temporal, o cenário nas cidades ainda era de devastação, com ruas cobertas de lama, casas soterradas e bairros inteiros afetados.
Casarin contou que chegou inicialmente à cidade de Juiz de Fora, onde acompanhou o trabalho das equipes de resgate. Na noite da chegada, foi localizado o último corpo que ainda estava desaparecido naquele município.
“Mesmo assim ainda tem muito trabalho. Muitas casas soterradas e muitos animais desaparecidos”, relatou.
Depois de um dia de atuação na cidade, ele seguiu para Ubá, município localizado a cerca de 100 quilômetros de Juiz de Fora, que também sofreu fortes impactos com as enchentes.

Durante a atuação na região, o bombeiro civil participou de buscas e resgates em áreas atingidas pela enxurrada.
Segundo ele, além do socorro às pessoas, uma parte importante do trabalho tem sido o resgate de animais que ficaram presos ou desaparecidos após a enchente.
“Resgatei pessoas, mas também resgatei animais, que é algo que mexe muito comigo”, contou.
Em Ubá, as equipes também trabalharam na busca por pessoas desaparecidas e na localização de veículos arrastados pela força da água.
“Nossa equipe conseguiu localizar duas pessoas que estavam desaparecidas, além de alguns carros que estavam soterrados na lama ou dentro do rio”, explicou.
Além das buscas, os voluntários também auxiliam moradores na limpeza de casas e na reconstrução das áreas atingidas, já que muitas famílias perderam praticamente tudo.
Risco de novas tragédias
Mesmo com o início do trabalho de limpeza nas cidades, a situação ainda preocupa as equipes de resgate.
A previsão de novas chuvas para a região aumenta o risco de novos deslizamentos e enchentes.
Segundo Casarin, muitas famílias continuam vivendo em áreas consideradas de risco. Um dos pontos de maior atenção está na barragem da cidade de Porteirinha.
“Tem muita gente que não saiu de casa, mesmo estando em área de risco, porque não tem para onde ir. Acabam optando por permanecer”, relatou.
Campanha de arrecadação em RdP
Após retornar para Rio das Pedras, o bombeiro civil iniciou uma campanha de arrecadação para levar donativos às vítimas.
Entre os itens solicitados estão alimentos, água e produtos de higiene.
Um dos pontos de coleta já está funcionando na Sorveteria Iolá, localizada na Rua Doutor Mário Tavares, no Centro de Rio das Pedras, esquina com a Rua Lacerda Franco.
A intenção é reunir mantimentos suficientes para retornar à região afetada e continuar o trabalho de apoio às famílias.
Casarin afirma que pretende voltar a Minas Gerais em breve.
“Se a situação piorar eu vou adiantar a viagem. Se continuar como está, devo retornar em uma ou duas semanas”, explicou.
Ele mantém contato constante com voluntários que continuam atuando nas cidades atingidas e acompanha de perto a evolução da situação.
Experiência anterior em tragédias
Esta não é a primeira vez que o rio-pedrense participa de ações voluntárias em grandes tragédias.
Em 2024, Casarin esteve no Rio Grande do Sul, onde passou 16 dias auxiliando no resgate de vítimas das enchentes que devastaram diversas cidades do estado.
Na ocasião, ele atuou principalmente no socorro a pessoas ilhadas, resgate de animais e apoio na limpeza de residências após a água começar a baixar.
A experiência reforça o espírito de solidariedade que mobiliza voluntários de diferentes regiões do país em momentos de calamidade.









