Artigo – Tempo de festa ou fuga?

Nos últimos dias, em meio a um baile de máscaras e fantasias, encontramo-nos diante de um cenário complexo e delicado. É um tempo de festa, um momento marcado por risos, cores cintilantes e melodias alegres, mas também é um tempo de reflexão e de questionamentos que ecoam no ar.

Em meio aos preparativos para celebrações e desfiles, surge uma sombra que paira sobre nossos corações: a sombra da realidade. A trama da vida cotidiana entrelaça-se com os fios frágeis da saúde pública, onde as doenças fazem sua dança insidiosa. Dengue, Covid e outras aflições lançam seu olhar sombrio sobre comunidades, enquanto muitos se preparam para festejar.
Neste momento, é impossível ignorar a dualidade que permeia nosso mundo. Enquanto alguns ensaiam passos de dança, outros enfrentam uma sinfonia de desafios e lutas. A festa, muitas vezes, parece ser um oásis temporário em meio ao deserto árido da adversidade.

O luxo dos adereços contrasta com as sombras das estatísticas de saúde. É um momento de reflexão profunda sobre nossas prioridades, sobre a vulnerabilidade da condição humana. Em que medida podemos verdadeiramente celebrar quando tantos enfrentam batalhas árduas pela própria existência?

Enquanto o mundo celebra o Carnaval, um turbilhão de pensamentos invade minha mente. Como podemos verdadeiramente regozijar em meio à fragilidade da saúde que nos cerca? Será que nossas marchinhas não são um reflexo de uma fuga temporária, um bálsamo passageiro para acalmar as ansiedades que em nós habitam?

Essa dualidade palpita em meu peito, como um chamado para uma introspecção mais profunda. As festividades tornam-se um espelho, refletindo não apenas o brilho das comemorações, mas também o escuro das preocupações que permeiam meu ser. Será que minha alegria é egoísta, desprovida de uma conexão real com o mundo ao meu redor?

A festa, por mais alegre que seja, não deve ser desprovida de empatia. É um convite a estender a mão para aqueles que enfrentam tempestades, a compartilhar o calor humano mesmo em meio ao frio das incertezas. Talvez, o verdadeiro espírito festivo resida na solidariedade, na capacidade de olhar além das máscaras e reconhecer a dor que se esconde no olhar do outro. Que nota estamos recebendo?

Enquanto nos deliciamos com os sabores quentes da alegria festiva, que também possamos nutrir um compromisso renovado com o bem-estar coletivo. Que a celebração seja um catalisador para a mudança, uma inspiração para construirmos um mundo onde a saúde seja nosso bloco prioritário.

Por professora Keren Oliveira

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